O Nordeste é apontado como a região com maior ancestralidade africana, segundo levantamento feito pelo primeiro laboratório nacional especializado em genômica pessoal, Genera. Ainda de acordo com a pesquisa, a região possui cerca de 40% de descendência africana, com ligação direta à linhagem materna das famílias nordestinas.
O estudo coincide, de fato, com a história do Brasil, já que cidades como Salvador (Bahia) e Recife (Pernambuco) recebiam o maior número de africanos escravizados, que, em seguida, eram transportados para o restante do país. Entretanto, geograficamente, o estado mais próximo do continente africano é o Rio Grande do Norte, graças ao Cabo de São Roque, em Maxaranguape.
Para além da proximidade territorial, a realização de eventos e atos pela valorização e memória do povo africano se fazem cada vez mais necessários em um mundo onde o racismo e os discursos de ódio acabam sendo relativizados quando são cometidos, por exemplo, na internet.
“Como estudante africano e presidente da associação, vejo a SEMAF como um espaço essencial de expressão, troca e valorização das nossas vivências. Esta edição é ainda mais especial por marcar os 10 anos da Associação dos Estudantes PEC-G da UFRN, celebrando uma trajetória de união e construção coletiva.”, diz Sergio Moreira, estudante de Ciências da Computação e atual presidente da Associação dos Estudantes do PEC da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (APEC).
A APEC organiza, anualmente, o evento Semana da África (SEMAF), que é voltado a celebrar o dia 25 de maio, que marca a criação da Organização da Unidade Africana, fundada em 1963, na Etiópia, a fim de proteger e libertar o continente africano. A data também é comumente conhecida como o “Dia da África”, que, em solo brasileiro, busca relembrar e comemorar a pluralidade presente no sangue da população.
Neste ano, com o tema "África depois da colonização: diversidade, resistência e futuro", a SEMAF 2026 convida a comunidade acadêmica da UFRN a participar das atividades, que acontecerão entre os dias 27 e 29 de maio. O evento terá sua abertura no Instituto Ágora, porém também será sediado no Centro de Convivência do campus. Durante quatro dias, os participantes estarão imersos em cultura, língua, tradições e debates.
As inscrições devem ser abertas em breve no SIGAA e também poderão ser feitas presencialmente durante o evento. Assim como em todos os anos, a Secretaria de Relações Internacionais da UFRN (SRI) participará da atividade. A expectativa é que haja troca cultural, com a promoção de uma maior inclusão social entre os participantes.
A programação será divulgada na página da APEC no Instagram.
(30/04/2026) « Voltar